Depois do Terramoto (Subsídio Para a História dos Bairros Ocidentais de Lisboa) «€150.00»
G. de Matos Sequeira – Depois do Terramoto (Subsídio Para a História dos Bairros Ocidentais de Lisboa) – Academia das Ciências de Lisbao – 1967. Desc.[515] pág + [3] plantas + [563] pág + [526] pág + [2] Estampas + [1] Quadro [628] pág + [8] Estampas / 23 cm x 16 cm / Br. Ilust
Escultura Africana do Museu Etnográfico de Ultramar «€120.00»
Jorge Dias – Escultura Africana do Museu Etnográfico de Ultramar – Junta de Investigação de Ultramar – Lisboa – 1968. Desc.[210] pág+ [1] Mapa / 29 cm x 23 cm / E.Tela Original «Autografado»
Quinze Anos de Obras Publicas – 1932 A 1947 «€250.00»
Quinze Anos de Obras Publicas – 1932 A 1947 – (Livro de Ouro I Vol.) – Comissão Executiva da Exposição de Obras Públicas – Eduardo Rodrigues de Carvalho – a Exposição de Oras Públicas / José Belard da Fonseca – A Engenharia e as Obras Publicas / Cottinelli Telmo – A Arquitectura e as Obras Públicas / Diogo Macedo – A Pintura e as Esculturas nas Obras Públicas / Aureliano Felismino – O que se Orçamentou e o que se Gastou / Raul da Costa Couvreur – Conselho Superior de Obras Públicas / Eduardo de Arantes e Oliveira – Laboratório de Engenharia Civil / Alvaro Salvasão Barreto – Lisboa nos Últimos Anos / Henrique Gomes da Silva – Edifícios e Monumentos Nacionais / Manuel Sá e Melo – Serviços Urbanos / João Paulo Nazaré de Oliveira – Urbanização da Costa do Sol / Raul da Costa Couveur – levantamento Topográficos Urbanos / Alexandre Alberto de Sousa Pinto & D. José Lancastre e Távora – Construções Para o Ensino Técnico e Secundário / Francisco Gentil & Fernando Jácome de Castro – Novos Edifícios Universitários (Hospitais Escolares) (Instituto Português de Oncologia) / Maximino Correia – Cidade Universitária de Coimbra / Júlio José Netto Marques – Estádio Nacional / Bissaia Barreto – Leprosaria Nacional Rovisco Pais / António pedrosa Pires de Lima – Construções Hospitalares / Carlos Pereira da Cruz – Novas Instalações Para o Exercito / Joaquim de Sousa Uva – Base Naval de Lisboa / Duarte Abecassis – Serviços Hidráulicos / António Trigo de Morais – Hidráulica Agrícola (Marcos de Uma Jornada e Algumas Notas Técnicas) / Salvador Nogueira – Porto de Lisboa / Henrique Shreck – Portos de Douro e Leixões / Abel Mário de Noronha oliveira e Andrade – Grande Aproveitamento Hidroelétricos / Manuel Rafael Amado da Costa Aproveitamentos Hidráulicos da Madeira / João Carlos Alves – Águas de Lisboa / Luís D’Albuquerque dos Santos – Correios, telégrafos e Telefones / Rogério Vasco de Ramalho – Caminho de Ferro / José António Miranda Coutinho – Serviços de Viação / Alfredo Sousa Sintra – Aeródromos Civis / Luís da Costa de Sousa Macedo – Estradas e Pontes / Carlos Augusto de Arroches Lobo – Combate ao Desemprego / Augusto de Castro, Cottinelli Telmo – Exposição do Mundo Português – Comissão Executiva da Exposição de Obras Públicas – Lisboa – 1947. Desc.[185] + [3219 pág / 32,5 cm + 25,5 cm / E. Original
Duarte José Pacheco (Loulé, São Clemente, Rua Nova, 19 de abril de 1900— Setúbal, 16 de novembro de 1943) foi um engenheiro e estadista português. Último de quatro filhos e sete filhas de José de Azevedo Pacheco (Loulé, São Clemente, 18 de Janeiro de 1864 – 1914), Comissário da Polícia de Loulé, e de sua mulher Maria do Carmo Pontes Bota (Loulé, São Clemente – 1905), doméstica, e sobrinho paterno de Marçal de Azevedo Pacheco. Ingressou aos 17 anos no Instituto Superior Técnico da Universidade Técnica de Lisboa, onde se forma em 1923 em Engenharia Eletrotécnica. Um ano depois é contratado como assistente e em 1925 já era professor catedrático, ensinando a cadeira de Matemáticas Gerais. Em 1926 torna-se diretor interino do IST e, em 10 de agosto de 1927, o Conselho Escolar determinava por unanimidade a sua nomeação como Diretor efetivo. Em 1928, com apenas 29 anos, ocupa pela primeira vez um cargo político, ao ser nomeado para Ministro da Instrução Pública, exercendo estas funções apenas durante uns curtos meses. A 18 de abril toma posse e a 10 de novembro demite-se. Era o primeiro governo de José Vicente de Freitas, estando Óscar Carmona na presidência da república. Nesse tempo teve uma missão que se veio a revelar de uma importância decisiva para o século XX português: vai a Coimbra convencer Salazar a regressar à pasta das Finanças. Salazar encontrava-se desiludido com a experiência anterior dos amargos cinco dias que participou do Governo de Mendes Cabeçadas e pela desgraça política financeira do General João Sinel de Cordes, com quem tinha tentado colaborar. É Duarte Pacheco que negoceia as condições extraordinárias que Salazar pretende para voltar a ocupar o cargo. A missão foi bem sucedida, tanto que Salazar toma posse a 28 de abril desse mesmo ano. É sob a orientação de Duarte Pacheco, que se dá início à construção dos edifícios do Instituto Superior Técnico em Lisboa, construindo-se aquele que viria a ser o primeiro campus universitário português. Existe uma história curiosa quanto à origem dos vidros do edifício do Instituto. Diz-se que foram enviados por diversas indústrias vidreiras como amostras solicitadas pelo próprio Ministro, a fim de determinar o de melhor qualidade, sendo utilizadas nas janelas do edifício sem se terem informado as indústrias solicitadas e sem ter havido nenhum tipo de remuneração dos vidros usados. Mas é com 33 anos que Duarte Pacheco encontra o seu próprio destino. Em 1932 volta a ser convidado por Salazar, que admirava o seu carácter, para participar no seu Governo, na pasta de Ministro das Obras Públicas e Comunicações. A 5 de julho assume pela primeira vez a pasta das Obras Públicas e Comunicações no Governo de Salazar, até 18 de janeiro de 1936, altura em que abandona as funções. Entretanto, a 1 de julho de 1933, é agraciado com a Grã-Cruz da Ordem Militar de Nosso Senhor Jesus Cristo. Em 1936, com uma reforma da corporação política, Duarte Pacheco é afastado do Governo, regressando ao Instituto Superior Técnico, mas ferido politicamente e profetiza que “hão de vir em peregrinação pedir-me desculpas e suplicar-me que regresse“. Profecia que sai certa. Porque no dia 1 de janeiro de 1938 Duarte Pacheco é nomeado presidente da Câmara Municipal de Lisboa, e meses depois, a 25 de maio, em acumulação, novamente ministro do Governo, passando a ocupar a pasta das Obras Públicas e Comunicações, pasta que desta vez só abandonará com a morte ao serviço da Nação Portuguesa. A 18 de dezembro de 1940 é agraciado com a Grã-Cruz da Antiga, Nobilíssima e Esclarecida Ordem Militar de Sant’Iago da Espada, do Mérito Científico, Literário e Artístico.Na manhã de 15 de novembro de 1943, Duarte Pacheco foi a Vila Viçosa, inteirar-se dos trabalhos em curso para a construção da estátua de D. João IV, mas queria chegar a tempo ao Conselho de Ministros, marcado para a tarde. Ao regressar a Lisboa, na Estrada Nacional n.º 4, no lugar da Cova do Lagarto, entre Montemor-o-Novo e Vendas Novas, o veículo oficial seguia a alta velocidade e despistou-se, embatendo com o lado direito num sobreiro. Um acompanhante teve morte imediata. Os outros sofreram ferimentos relativamente ligeiros. Os de Duarte Pacheco foram graves. O ministro foi transportado para o Hospital da Misericórdia em Setúbal. Mal foi informado, Salazar seguiu para lá, fazendo-se acompanhar de um grupo de médicos reputados. De nada puderam valer e, na madrugada de 16, era confirmado o óbito de Duarte Pacheco, devido a uma hemorragia interna. Em 1933, o engenheiro Duarte Pacheco inicia uma profunda modernização dos serviços dos Correios e Telecomunicações por todo o país. Neste mesmo ano, nomeia uma Comissão Técnica para estudar e elaborar um plano que pudesse levar à construção de uma ponte sobre o rio Tejo, ligando Lisboa, pela zona do Beato a Montijo. Chega mesmo, no ano de 1934, a propor a construção de uma ponte rodo-ferroviária, em Conselho de Ministros. É autor de projetos dos “novos Bairros Sociais” de Alvalade, Encarnação, Madredeus e Caselas, em Lisboa. Projetou a atual Avenida de Roma, em Lisboa, da forma como ainda hoje permanece, do ponto de vista imobiliário. Ao longo da sua carreira, quer como professor ou estadista, Duarte Pacheco promoveu, e revolucionou, o sistema rodoviário de Portugal, para além das inúmeras construções de obras públicas que mandou executar, tais como a marginal Lisboa-Cascais, o Estádio Nacional, e a Fonte Luminosa, em Lisboa. Foi sua, também, a criação do Parque de Monsanto, e contribuiu para a construção do aeroporto da cidade de Lisboa. Foi também, o grande responsável pela Organização da Exposição do Mundo Português, realizada em 1940 em Lisboa, acontecimento singular do século XX que influenciou em muitos aspetos o ritmo cultural das décadas que se seguiram. O seu nome consta na lista de colaboradores da Revista Municipal da Câmara Municipal de Lisboa (1939-1973).
B. Xavier Coutinho – História Documental da Ordem da Trindade (Vol 1) – Das origens Ao Século XIX / (Vol 2) – Alguns Aspectos Característicos da Sus Vida no Século XIX – Edição da Celestial Ordem da SS. Trindade – Porto – 1972.Desc.(1094) pág + (72) Fig. Mapas.Br.Ilust
O Monteiro de Santa Clara de Vila do Conde(Pequenas Crónicas Dum Grande Mosteiro) (€20.00)
Joaquim Pacheco Neves – O Monteiro de Santa Clara de Vila do Conde (Pequenas Crónicas Dum Grande Mosteiro) – Edição do Gabinete de Cultura / Câmara Municipal de Vila do Conde – Vila do Conde – 1982.Desc.(291) pág. B.Ilust
Joaquim Pacheco Neves
Joaquim Pacheco Neves (Vila do Conde, 11 de junho de 1910 – 19 de janeiro de 1998) foi um médico, cronista, romancista, dramaturgo, memorialista e editor português, autor de uma vasta obra galardoada com vários prémios nacionais. Foi em Vila do Conde que nasceu Joaquim Pacheco Neves, filho do farmacêutico Tadeu Eurico Pereira Neves e Maria da Conceição Maia Pacheco Neves. Em 1932 termina a licenciatura em Medicina, na cidade do Porto, com 16 valores. No ano 1934 é nomeado Presidente da Comissão Municipal que dirige a Câmara Municipal de Vila do Conde voltando, na década de 40, a ser autarca, desta vez ocupando o cargo de Vice-Presidente da Câmara e, interinamente, Presidente da Câmara. Em 1938 especializa-se em estomatologia no Hospital de Santo António, no Porto, sendo que nessa altura ingressa como médico nos Serviços Sociais. Um ano mais tarde, com a morte o seu irmão, ocupa o consultório na Rua da Junqueira, na Póvoa de Varzim, onde trabalharia até 1975. Em 1935 funda com o seu Pai o Jornal Novo Rumo que será publicado até 1936 e onde terá colaborado com cerca de duas dezenas de artigos. Nesse mesmo ano é nomeado médico da Companhia dos Caminhos de Ferro do Norte de Portugal. Em 1946 casa-se com Maria Leonor Lacerda Pinheiro Pacheco Neves de quem tem quatro filhos, Teresa, Isabel, Madalena e Jorge. Em 1952 fundou as edições Ser através da qual viriam a ser publicados vários escritos literários, nomeadamente José Régio, como Jacó e o Anjo e o terceiro volume de “A Velha Casa”, entre outros autores. Em 1985 abandona toda a atividade profissional como médico e aposenta-se dos serviços médico-sociais. Até esse ano terá acumulado a sua atividade literária com a profissional.Durante vários anos Joaquim Pacheco Neves fez parte da Tertúlia que reunia semanalmente no Diana-Bar da Póvoa de Varzim, ou no restaurante Marisqueira em A-Ver-o-Mar, o “Grupo dos Sábados” a que compareciam regularmente Manuel de Oliveira, José Régio, Luís Amaro de Oliveira, João Francisco Marques, Orlando Taipa, Flávio Gonçalves e Agustina Bessa-Luís.
Cintra Pinturesca, ou Memoria Descriptiva da Villa de Cintra, Collares, e Seus Arredores…(€100.00)
Visconde Juromenha – Cintra Pinturesca, ou Memoria Descriptiva da Villa de Cintra, Collares, e Seus Arredores…-Typ. da Soc. Propagadora dos Conhecimentos Uteis – Lisboa – 1838.Desc.(231) pág.E
História da Venerável Ordem 3.ª da Penitência do Seráfico P.São Francisco da Congregação da Bahia (€100.00)
Marieta Alves – História da Venerável Ordem 3.ª da Penitência do Seráfico P.São Francisco da Congregação da Bahia – Imprensa Nacional – Rio de Janeiro – Bahia-Brasil – 1948.Desc.(431) Pág.B.Ilust
Igreja da Ordem Terceira de São Francisco é uma igreja católica da cidade brasileira de Salvador, Bahia. É um expressivo exemplar da tradição barroca no país, foi tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) e foi uma das indicadas para a eleição das 7 Maravilhas do Brasil. Sua notoriedade advém principalmente da sua fachada ricamente decorada em altos-relevos, um caso raro no Brasil, com similar apenas na Igreja de Nossa Senhora da Guiaem Lucena na Paraíba, que também possui fachada em rocha sedimentar (calcário).[1] Seu interior foi reformado no século XIX, substuindo-se a decoração original barroca por altares neoclássicos, considerados a obra magna do mestre José de Cerqueira Torres. A igreja faz parte de um dos principais conjuntos monumentais de Salvador, que inclui a Igreja e o Convento de São Francisco, que lhe ficam anexos. A igreja é precedida de um pequeno adro com cerca de ferro e pilares em alvenaria, ladeando um grande portal de pedra decorado com relevos e um frontão impositivo. A fachada, ricamente ornamentada com relevos, é um caso único no Brasil, remetendo, segundo o IPHAN, às decorações platerescas que tiveram uma voga na Espanha e suas colônias americanas. Ela tem apenas um similar, muito menos rico, na Igreja de Nossa Senhora da Guia, na Paraíba. Porém, a definição do estilo da fachada tem dado margem a controvérsias. O estilo plateresco é uma das ramificações do Maneirismo espanhol, mas alguns autores pensam que se trate de um exemplar tipicamente barroco, e outros a consideram alinhada à corrente churrigueresca. Sua planta é um exemplo da transição entre a tradição franciscana do século XVII e o das matrizes setecentistas inspiradas na tradição jesuítica. No caso desta igreja, a forte declividade nos fundos do terreno exigiu uma solução nova, instalando a Sala da Mesa (consistório) sobre a sacristia, e esta sobre um ossário.[2] A sacristia liga-se à nave por galerias guarnecidas com três arcadas de cantaria. Possivelmente elas eram abertas para o exterior na época de sua inauguração. Atualmente as arcadas no lado direito da capela‐mor se comunicam com o externo através do claustro, e as do outro lado se abrem para um bloco levantado a partir de 1770, usado como dependências de apoio, construído em virtude da crescente importância e prestígio da Ordem no século XVIII. A fundação da igreja se deve à Ordem Terceira de São Francisco, que iniciou suas atividades na Bahia em 1635. Em 1644 a Ordem ergueu sua primeira igreja, que foi substituída pela presente construção. A autoria do projeto é atribuída ao mestre Gabriel Ribeiro, também o construtor do edifício. A pedra fundamental foi lançada em 1º de janeiro de 1702 e as obras correram com grande rapidez, sendo concluída a estrutura em 22 de junho de 1703. Porém, a fachada só foi finalizada em 1705. No início do século XIX decidiu-se renovar o interior. Os altares primitivos foram substituídos entre 1827 e 1828 com a talha de José de Cerqueira Torres, e a douração foi contratada em 1830 com Franco Velasco. Em 1833 a Ordem encomendou a Cerqueira Torres a confecção de castiçais, cruzes, ramalhetes e jarras para os altares, num total de 77 peças. Em 1834 José Rodrigues Nunes foi incumbido da pintura e douramento de 54 castiçais, 4 tocheiros, 7 cruzes e 16 jarras, da realização de 4 quadros grandes para as paredes, seis pequenos para os nichos dos altares, e da pintura em imitação de tela de ouro do fundo da capela-mor. Ao mesmo tempo, Cerqueira Torres foi novamente contratado para a realização de painéis e frontões entalhados para os altares. A igreja foi reconsagrada e reaberta em 4 de julho de 1835. Na mesma época das reformas, a fachada foi toda recoberta de argamassa, considerada fora de moda, sendo esquecida sua decoração original por mais de um século. Em 1932, por acidente, foi redescoberta, quando um eletricista estava fazendo a instalação de luzes. Durante o trabalho, deu marteladas na fachada, fazendo cair parte do reboco. Em 1939 o IPHAN encaminhou o seu tombamento. Pelo seu ineditismo no cenário arquitetônico brasileiro e pela sua e riqueza plástica e iconográfica, a fachada já foi objeto de atenção de vários historiadores. O nível térreo é vazado por três portas em arco redondo, sendo a central mais larga e alta. São fechadas por portas com almofadões em relevo. Sobre as duas laterais se abrem óculos elípticos. As pilastras assumem uma forma de quartelões (pilastras misuladas), com capitéis que ostentam mascarões e são coroados por volutasjônicas. Na aduela do portal do centro há um pequeno medalhão onde consta a data da construção e a inscrição SPPM, que significa “Ao seráfico Pai esta igreja foi construída merecidamente”. Acima deste elemento, os torsos de duas sereias ladeiam uma coroa de espinhos com o monograma IHS, significando “Jesus Salvador dos Homens”. Este plano é separado do imediatamente superior por uma larga cornija decorada com relevos. Este bloco é muito mais ricamente ornamentado. Os quartelões se sustentam por volumosas mísulas, e seguem para cima com ornamentações em alto-relevo, mostrando na base carrancas (quartelões externos) e querubins (quartelões internos), sustentando atlantes, e terminam com novas mísulas fazendo as vezes de capitéis. As superfícies entre os quartelões são densamente ornamentadas com um intrincado padrão de motivos curvilíneos fitomórficos rodeando grandes coroas reais. Nas laterais se abrem duas portas de feitio retangular, diante das quais há sacadas de ferro trabalhado. Ao centro, num nicho está instalada uma estátua de São Francisco. Acima dele duas sereias sustentam uma coroa real, sobre a qual há uma grande carranca de feições felinas, e acima dela se posta uma águia, de cujo bico pende uma fita com a inscrição Per penitentiam coelo apropinquamus (pela penitência nos aproximamos do céu). Seguindo Percival Tirapeli, os dois atlantes que ladeiam o nicho têm características de divindades pagãs, e poderiam ser divindades fluviais, uma alegoria dos rios pelos quais as riquezas da província eram transportadas. Suas cabeças são adornadas com projeções que lembram asas, e poderiam simbolozar também Hermes, o deus dos comerciantes, uma vez que os comerciantes da capital baiana foram os principais financiadores da construção. Uma outra cornija saliente separa o bloco recém descrito do frontão, também densamente lavrado, com um escudo do Reino de Portugal ao centro, ladeado de anjos em alto relevo e duas grandes volutas nas extremidades, sobre as quais se erguem pináculos. Ao centro, uma cruz arremata o conjunto. Disse Tirapeli que se trata de “obra singular da arte colonial nos trópicos, surgida da mescla de interesses e vontades de comerciantes mecenas e a criatividade e técnica de artistas locais, a fachada da Ordem Terceira de São Francisco da Penitência merece sem dúvida a atenção tanto de estudiosos quanto de apreciadores da beleza”. A decoração interna primitiva, em estilo Barroco, foi substituída em sua maior parte entre 1827 e 1828 por seis altares laterais e uma capela-mor em estilo Neoclássico com talha dourada, que constituem o principal trabalho do mestre entalhador José de Cerqueira Torres, ainda em excelente estado de conservação. A ele também cabem a talha das tribunas, do arco do cruzeiro, da caixa do órgão, dos púlpitos, da grade do coro e os caixotões do teto da nave. No piso superior tribunas com sacadas de ferro trabalhado e cobertas por pequenos dosséis se abrem para a nave, e dois púlpitos se colocam entre os altares. O teto da nave, elaborado em 1831, é decorado com pinturas atribuídas a Franco Velasco, inseridas nos caixotões. A capela-mor separa-se da nave por um grande arco decorado com relevos. No centro há um medalhão com os emblemas da Ordem Franciscana e uma cruz. O altar-mor tem uma forma de baldaquino, com um trono escalonado no interior, onde se encontra uma imagem de Jesus crucificado. De acordo com Luiz Alberto Ribeiro Freire,
Na obra da igreja dos terceiros franciscanos de Salvador, o entalhador José de Cerqueira Torres inaugurou um novo tipo de retábulo, que identificamos como ‘baldaquino arrematado por cúpula de barrete de clérigo’. Nele não só o arremate era novo, diferente, como os capitéis coríntios das colunas, fugindo da regra baiana de uso dos capitéis compósitos. Esse baldaquino contém seis colunas de fustes retos e canelados inteiramente douradas. Nas impostas frontais exibe duas esculturas, uma em cada lado, representando a Fortaleza no lado esquerdo e a Temperança no lado direito do observador, virtudes importantes para os terceiros franciscanos. As impostas traseiras são arrematadas por um vaso em cada lado.
“Os retábulos laterais concebidos para a nave dessa igreja também inovam no tipo. O artista concebeu peças parietais arrematadas por uma tabela, com tímpano e urna flamejante. O tipo difere do retábulo-mor repetindo desse as colunas coríntias inteiramente douradas e o modelo dos pilares. As urnas flamejantes com festões, último arremate desses retábulos só aparecem aí. Do mesmo modo, o motivo decorativo que acentua o centro do tímpano constituído de folhagens que remetem ao formato de uma lira é único e restrito a esse ambiente. A solução dadas às palmetas das impostas dianteiras inferiores e superiores fazem parte do vocabulário da oficina de Torres e não aparecem nas ornamentações das outras igrejas.[…]
“Os púlpitos são também de fatura única com um tambor de lado encurvados e, contrariando a norma baiana, dispensou os elementos vazados, os arremates deles se diferenciam no formato e pela inclusão de símbolos entalhados, o do lado da epístola, aparece duas tábuas dos mandamentos da Lei de Deus, cada uma numerada com o VII e VIII mandamentos, dispostas em diagonal, uma trombeta disposta em diagonal contrária à das tábuas; uma coroa de folhas cinge as tábuas e palmas caem para os lados, com uma cruz latina ao centro arremata todo conjunto. As tábuas aludem aos mandamentos propagados no púlpito; a trombeta, o anúncio do Juízo Final, as palmas refere-se à vitória, ascensão, renascimento e imortalidade para os que seguem a palavra de Deus, e a cruz identifica a fé em Jesus Cristo Salvador.[…]
“O programa ornamental da igreja dos terceiros franciscanos de Salvador, é sem dúvida uma das obras primorosas da talha baiana e brasileira e das mais Clássicas no sentido da depuração, limpeza, sobriedade, emprego de ornatos da arquitetura Clássica e uma policromia que elimina em grande parte a policromia variada e sedutora do Barroco. O fiel passou a ter nesse novo ambiente pausa para a meditação e contemplação, pausa para a contrição e o exercício da razão”.
Preserva-se da decoração barroca original dois medalhões nas paredes laterais da nave, com expressivas molduras douradas e policromadas, e uma grande série de azulejos pintados distribuídos por vários espaços do complexo, como as galerias, corredores e claustro, vindos de Portugal e importantes por retratarem Lisboa antes do terremoto de 1755 e cenas do cortejo do infanteDom José e Dona Maria Ana de Bourbon em seu casamento em 1729. Dos espaços decorados, destaca-se a Sala da Mesa, uma das mais significativas em seu gênero em todo o Brasil. Outro espaço, a Casa dos Santos, preserva um importante conjunto de santos de roca e de vestir, instalados em uma série de capelas neoclássicas que circundam o aposento.
Jorges Gaspar, Irisalva Moita, Jose Luis Matos, Clementino Amaro, Antonio Borges Coelho, Paulo Pereira, Rafael Moreira, Fernando Castelo Branco…(Irisalva Moita Coordenadora) – O Livro de Lisboa – EXPO 98 – Livros Horizonte – Lisboa – 1994.Desc.(527) pág .E.Ilust
Ines Morais Viegas & Luis Pavão(Coordenador) – Antonio Passaporte – Postais de Lisboa – Câmara Municipal de Lisboa – Lisboa – 1998.Desc.(119) pag.B.Ilust
Rosa Varela Gomes – Cerâmicas Muçulmanas do Castelo de Silves – XELB – 1 – Revista de Arqueologia, Arte, Etnografia e Historia – Museu Municipal de Arqueologia\Camara Municipal de Silves – 1988.Desc.(294) pag.B.Ilust (€40.00)
Mario Varela Gomes – A Necropole de Alfarrobeira (S.Bartolomeu de Messines) E a Idade do Bronze no Concelho de Silves – XELB – 2 – Revista de Arqueologia, Arte, Etnografia e Historia – Museu Municipal de Arqueologia\Camara Municipal de Silves – 1994.Desc.(294) pag.B.Ilust (€40.00)
Pré – História da Área Sines (Trabalho Arqueológico de 1972-77) (€25.00)
Carlos Tavares da Silva & Joaquina Soares – Pré – História da Área Sines (Trabalho Arqueológico de 1972-77) – Lisboa – Gabinete de Area de Sines – 1981.Desc.(231) pág + (2) Mapas.B.Ilust
Portugal – Painéis se Azulejos no Século XX (€40.00)
Jacqueline hangs & Veronica Hustinx – Portugal – Painéis se Azulejos no Século XX – Edição caixa Geral de Depósitos – Lisboa – 1987.Desc.(185) pág. E.Ilust
Povoamento Romano no Actual Concelho de Fronteira «€15.00»
André Carneiro – Povoamento Romano no Actual Concelho de Fronteira – Edições Colibri / Câmara Municipal de Fronteira / Câmara Municipal de Cascais – Lisboa – 2004.Desc.[259] pág + [1] Mapa / 27,5 cm x 19 cm / Br. Ilust