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  • Eduardo ou Os Mysterios do Limoeiro

    Eduardo ou Os Mysterios do Limoeiro «€80.00»

    P.ª João Cândido de Carvalho –  Eduardo ou Os Mysterios do Limoeiro [Vol I, II, III, IV] (Biblioteca Ilustrada) – Edição – Escritório da Empreza / Typographia de A.J. Germano – Lisboa 1865/66. Desc.[290] + [264] + [252] + [263] pág / 19 cm x 13 cm / E.Pele

     

     

    João Cândido de Carvalho nasceu em Castelo de Vide em 1803 e faleceu em Vila Franca de Xira em 14 de Novembro de 1857. Frade franciscano, adoptou as ideias liberais que o conduziram ao longo de três anos às masmorras miguelistas, e assentou praça em 1833. Em 16 de Maio de 1834 fez parte de Infantaria 10 na Batalha de Asseiceira. Em 1835 acumulou as funções de oficial dos correios, cargo de que foi demitido em 1839 por delitos de opinião na imprensa. Em 1836-1837 integrou a loja maçónica Beneficência de Lisboa de obediência ao Grande Oriente Lusitano, de onde já constava com a profissão de jornalista. Seria como jornalista que se viria a destacar, sendo muito conhecido por Rabecão, na defesa dum republicanismo repassado dum teor socialista afim do franciscanismo em que professara. Ficou célebre o julgamento em 21 de Agosto de 1839 por delito de imprensa originado publicação em “O Democrata” de Para onde marcha a Nação?. O Júri acabaria por considerar não haver motivo para a acusação. Curioso também, foi o ter-se identificado profissionalmente, nessa ocorrência, como «escritor público». Todavia, ao longo da carreira a sua intervenção jamais será pacífica. Por exemplo, “O Rabecão” – jornal que o tornaria mais conhecido – segundo José Tengarrinha na sua História da Imprensa Periódica Portuguesa escreve na página 136: «…no dia 8 de Setembro de 1848 foi assaltada a tipografia da Rua das Aduelas, onde se imprimia o jornal extremista “O Rabecão”, e os assaltantes «armados de pistolas, punhais e machados deitaram a letra pelas janelas fora». Dirigiu “O Cortador” (1837), “Azorrague” (1838), “O Democrata” (1839) e “O Rabecão” (1847-1848). Foi depois redactor de “A República” – jornal do povo (1848) e do jornal republicano e socialista “O Regenerador” (1848). Autor do drama em 1 acto O Rebatedor, estreado a 23 de Julho de 1830 no Teatro do Salitre.Regressou à vida eclesiástica, em 1851, tendo sido nomeado prior na freguesia de Santo Estêvão em Lisboa em 1855. Já dois anos antes produzira a oração fúnebre da rainha contra a qual tão mal escrevera na imprensa. Nas muitas contradições da sua carreira, todavia repassada de empenho e virulência, o seu romance Eduardo ou os Mistérios do Limoeiro ficou como um documento insubstituível para o conhecimento das condições degradantes do funcionamento desta famosa prisão.Em presença dum surto de febre amarela refugiou-se em Vila Franca de Xira; em vão, porque dessa epidemia aí viria falecer em 1857.

     

     


  • Vida e Morte de Faustino Cavaco

    Vida e Morte de Faustino Cavaco
    Vida e Morte de Faustino Cavaco «€50.00»

    Faustino Cavaco – Vida e Morte de Faustino Cavaco – (Organização de Rogério Rodrigues) – Edição Heptágono – 1989. Desc.[516] pág / 21 cm x 14 cm / Br. «1.ª Edição»

     

    Resultado de imagem para Vida e Morte de Faustino CavacoHá 30 anos, seis condenados escapavam da cadeia. Os “Cavacos” eram os mais mediáticos e Faustino o mais temido. Bruno Vieira Amaral recorda os crimes e a paranóia colectiva que tomou conta de Portugal. Por volta das quatro e meia da tarde de 28 de Julho, Germano Ramiro Raposinho, de 32 anos e a cumprir uma pena de 25 por homicídio, dirigiu-se ao edifício da portaria para entregar toalhas lavadas para a casa-de-banho. Apesar da reconhecida perigosidade, Raposinho, um algarvio filho de negociantes de peixe, trabalhava na lavandaria e, como tal, beneficiava de alguma liberdade de movimentos no interior da prisão. Recebido pelo guarda António José Paulino, atingiu-o de imediato com dois tiros de uma pistola escondida entre as toalhas. Outros cinco reclusos que aguardavam no pátio juntaram-se a Raposinho. No interior do edifício, destruíram o rádio para impedir comunicações com o exterior e arrombaram o armeiro de onde tiraram quatro G3 e cinco pistolas. Três guardas que tentaram travar a fuga foram abatidos a sangue-frio e outro ficou ferido. Outros três foram feitos reféns e usados como escudo pelos cadastrados para chegarem ao exterior. Aí entraram numa carrinha celular Ford Transit e, já na estrada, dispararam rajadas de metralhadora na direcção de uma bomba de gasolina nas imediações da prisão, com o provável intuito de provocar uma explosão que atrasasse a perseguição. Poucos quilómetros à frente, no cruzamento de Grândola e do Carvalhal, mandaram parar um Ford Fiesta de matrícula espanhola (BI-4624-YO), expulsaram os ocupantes. Quatro dos fugitivos entraram para o carro tendo os outros dois seguido viagem na Ford Transit. Ainda precisavam de outro carro, que não demoraram a encontrar. Era um Ford Escort branco de um casal que ia de férias para o Algarve. A mulher só pediu que não fizessem mal ao gatinho que levava ao colo. Os fugitivos abandonaram o carro celular com os reféns lá dentro (um dos cadastrados terá defendido que os deveriam matar, tendo sido dissuadido pelos outros), dividiram-se em dois grupos de três e seguiram para Sul nas viaturas roubadas. A partir daí a polícia perdeu-lhes o rasto. Do grupo de seis fugitivos faziam parte dois ex-pára-quedistas, Augusto José Ramalho, o “Tony”, e José Fernandes Gaspar, o “Zé Guerreiro”, o primeiro condenado a cinco anos por roubo e o segundo a vinte anos por assalto à mão armada. Carlos Alberto Ferreira Pereira, natural de Alenquer e conhecido como “Carlos da Malveira”, cumpria uma pena de dezassete anos também por assalto à mão armada. Os outros três eram algarvios: Germano Raposinho, que cumpria a pena mais pesada pelo homicídio de um funcionário de uma bomba de gasolina durante um assalto, era de Quarteira; Vítor Clemente Cavaco, de 32 anos, o “Vítor Ameixa”, condenado a 17 anos por vários roubos, era natural de Loulé; José Faustino Cavaco, o “Americano”, condenado a 19 anos pelo homicídio de um agente da PSP, Manuel Laginha, que teria sido seu cúmplice em vários assaltos, era de Salir, concelho de Loulé.